Tratamento

O tratamento deve ser coordenado por um profissional médico, de preferência um cardiologista, juntamente com sua equipe multiprofissional (enfermeiro, fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista, educador físico). Devido a alta prevalência e incidência da doença e de sua gravidade, o diagnóstico e tratamento da doença do coração fraco, principalmente na sua fase inicial pode ser realizado por um médico clínico geral, a fim de se evitarem atrasos e piora do quadro até o encaminhamento a um especialista.

Todo tratamento deve ser baseado em evidências científicas com resultados e estudos que comprovem sua eficácia, seguindo diretrizes nacionais e internacionais de abordagem da doença.

Fisioterapia

O tratamento fisioterapêutico para a insuficiência cardíaca geralmente envolve exercícios aeróbicos, respiratórios e de alongamento, assim como, treinos de equilíbrio e resistência para ajudar a diminuir os sintomas da doença e aumentar a capacidade física do paciente, tornando-o capaz de retomar suas atividades diárias. A caminhada diária orientada por seu médico cardiologista já fez muita diferença

Alimentação

De modo geral a alimentação deve ser pobre em colesterol, gordura saturada e gordura vegetal hidrogenada. Deve-se reduzir o uso de sal (sódio), alimentos processados, enlatados e embutidos. A ingestão de líquidos deverá ser reduzida, conforme orientação do médico e do nutricionista

Medicamentos, Dispositivos implantáveis e Transplante

IMPORTANTE!

Os medicamentos com suas indicações e dosagens, assim como os dispositivos implantáveis no tratamento da doença variam de caso para caso, dependendo de particularidades clínicas de cada portador da Doença do Coração Fraco / Insuficiência Cardíaca, dos sintomas e nível de evolução da doença, por isso, sempre converse com seu médico e tire suas dúvidas antes de tomar qualquer iniciativa.

Grande parte das pessoas com diagnóstico e início precoce do tratamento da Doença do Coração Fraco, são beneficiadas pelas medidas de tratamento clínico e com orientações e medicações apropriadas, outros necessitam do auxílio de dispositivos implantáveis (ressincronizadores do batimento do coração, marcapassos e desfibriladores implantáveis) e outros ainda são candidatos ao transplante cardíaco. O mais importante é que o reconhecimento e o início do correto tratamento da doença, aconteça o mais cedo possível.

Medicamentos

Os medicamentos indicados para o tratamento da Insuficiência Cardíaca possuem o objetivo de auxiliar no melhor funcionamento do coração, no controle dos sintomas, qualidade de vida e principalmente na diminuição da evolução da doença e de sua mortalidade.



Os medicamentos são divididos nas seguintes categorias:
–  os que fazem diferença para diminuição do tamanho do coração,  aumentando a força de contração do coração, consequentemente melhorando a sobrevida;
os que possuem ação de somente para tratar os sintomas, não impactando na redução da mortalidade da doença.

Medicamentos Inibidores da Enzima de Conversão da Angiotensina: dilatam os vasos sanguíneos, fortalecem o coração e diminuem seu tamanho, diminuindo a pressão e facilitando o trabalho do coração; (exemplos de nomes científicos disponível no Brasil; enalapril, ramipril, captopril).

Medicamentos Bloqueadores dos Receptores Enzima de Conversão da Angiotensina: dilatam os vasos sanguíneos, fortalecem o coração e diminuem seu tamanho, diminuindo a pressão e facilitando o trabalho do coração. Diminuem a mortalidade de doença; (exemplos de nomes científicos disponíveis no Brasil; losartana, candersartana, valsartana).

Medicamentos Betabloqueadores: diminuem a tensão sobre o coração, permitindo diminuição dos batimentos cardíacos, fortalecem o coração e diminuem seu tamanho. Diminuem a mortalidade da doença (exemplos de nomes científicos disponíveis no Brasil; bisoprolol, carvedilol, metoprolol, nebivolol).

Medicamentos diuréticos poupadores de potássio: eliminam o excesso de água, mantendo os níveis de potássio, fortalece o músculo do coração; diminuem a pressão facilitando o trabalho do coração. Diminuem a mortalidade da doença (exemplo disponível no Brasil; espironolactona).

Medicamentos Inibidores da Neprilisina / Bloqueadores dos Recepetores da Angiotensina (em uma única molécula) : dilatam os vasos sanguíneos, fortalecem o coração e diminuem seu tamanho, diminuindo a pressão e facilitando o trabalho do coração. Diminuem a mortalidade da doença. (exemplo disponível no Brasil; sacubitril/valsartana).

Medicamentos Inibidores da corrente elétrica para redução frequência cardíaca: redução da frequência cardíaca no esforço e no repouso, diminuindo o trabalho do coração. Podem diminuir a mortalidade da doença em casos específicos (exemplo disponível no Brasil; ivabradina).

Medicamentos diuréticos: ajudam os rins a eliminarem o excesso de água, diminuindo o excesso de sangue no coração e prevenindo o aparecimento de inchaços no corpo. Não exercem efeito diminuindo a mortalidade da doença (exemplos disponíveis no Brasil; furosemida, hidroclorotiazida).

Medicamentos cardiotônicos: ajudam a aumentar a força das contrações do coração e estabilizam os batimentos cardíacos irregulares. Não exercem efeito diminuindo a mortalidade da doença (exemplo disponível no Brasil; digoxina).

Dispositivos Implantáveis

Terapia de Ressincronização do Coração

A eficácia de se restabelecer sincronização do Coração Fraco é baseada em um procedimento por “cateterismo” quando é feita uma ressincronia de seu batimento através do implante de um marcapasso. Esta ressincronização ajuda o coração fraco a restabelecer a força de seus batimentos. Tem indicação em casos específicos e seu médico pode lhe esclarecer a sua indicação, vantagens e desvantagens.

Desfibrilador implantável

A morte súbita é responsável por 30 a 50% das mortes em portadores do coração fraco, a maioria delas são causadas por uma arritmia que pode ser revertida com um choque. É importante ressaltar que o correto tratamento clínico com as medicações reduz tanto a morte súbita quanto a evolução da doença. Entretanto, algumas pessoas com a doença do coração fraco de maior risco para morte súbita podem necessitar o implante deste equipamento que poderá reverter esta arritmia que leva a morte súbita.

Transplante Cardíaco 

O transplante cardíaco é a alternativa terapêutica para melhorar a sobrevida em pacientes adequadamente selecionados no estágio avançado da doença do coração fraco / insuficiência cardíaca.

Particularmente no Brasil, os resultados do transplante vêm melhorando significativamente ao longo dos últimos 5 anos, embora questões econômicas, de logística e de doadores, limitem o número de transplantes realizados.  Em pacientes com descompensação aguda da doença, sem melhora com tratamento clínico, o transplante pode ser uma opção terapêutica em caso de refratariedade da compensação, apesar de terapêutica otimizada. Pacientes em choque possuem alta mortalidade e, por isso, são priorizados em lista de espera para transplante cardíaco.