Saiba o que é interação medicamentosa

Você sabia que a interação medicamentosa quando feita sem a orientação de um médico responsável ou não é informada em uma consulta médica, pode ser danosa para o coração? De fato, o consumo de remédios indiscriminadamente, de uma forma geral, requer muito cuidado e moderação.

 

Infelizmente, trata-se um hábito comum entre as pessoas e que pode trazer consequências negativas para a saúde do coração, como o surgimento de insuficiência ou parada cardíaca. O maior problema é que muitos se automedicam e muitas vezes desconhecem que alguns remédios quando em interação com outros podem apresentar efeitos colaterais.

 

Neste artigo você vai saber mais sobre o assunto e quais medidas tomar para proteger seu coração! Confira!

 

O que é interação medicamentosa?

 

Ocorre quando dois ou mais remédios são consumidos e seus efeitos são alterados pela presença do(s) outro(s). A interação medicamentosa pode acontecer também quando são associados a fitoterápicos — os chamados remédios naturais.

 

Na verdade, a interação pode anular, aumentar ou diminuir o efeito de determinado medicamento ou mesmo tornar a combinação tóxica. Um exemplo disso seria a ingestão de antibióticos e antiácidos ao mesmo tempo — uma vez que alguns antibióticos precisam da acidez do estômago para que sejam absorvidos pelo organismo. Ao fazer isso, você diminuiria ou mesmo anularia o efeito do antibiótico.

 

É fato, porém, a necessidade, em vários casos, do uso simultâneo de alguns remédios, e isso quando ocorre sob a supervisão médica é absolutamente normal. No entanto, o que não pode ser esquecido é o alerta à população sobre os perigos da automedicação, ou seja, do uso indiscriminado de medicamentos por conta própria.

 

Daí a importância de uma consulta médica antes da inclusão de qualquer medicação. É essencial informar ao médico sobre o uso concomitante de vários medicamentos, mesmo que seja um fitoterápico, nunca deixar nada de fora. Essa informação é fator determinante em qualquer tratamento.

 

Quais os riscos da interação medicamentosa?

Os riscos podem ser desde a ausência do efeito do medicamento — ou seja, o efeito de um anular o do outro — até uma grave intoxicação, culminando, inclusive com uma internação.

Quando dois medicamentos são utilizados em associação, podem agir tanto de forma independente (não ocorrendo interação entre eles), como também interagir entre si. Por isso, só um médico poderá indicar, ou não, o uso conjunto de um ou mais medicamentos.

 

Vale ressaltar que a interação de alguns remédios pode alterar a saúde do coração. Confira algumas dessas associações!

 

  • Antidepressivos + antigripal (anfetamina): essa associação pode causar um grande aumento da pressão, levando em muitos casos a delírios;
  • Anti-inflamatórios + corticoides: provoca a retenção de líquidos e sal, causando inchaço, podendo levar a um aumento de pressão. Pode ocorrer também uma irritação no estômago, gerando sangramentos e formação de úlceras;
  • Anti-hipertensivo + calmantes: provoca sonolência e queda de pressão;
  • Colírios + descongestionantes nasais: em alguns casos pode provocar um aumento de pressão, principalmente em idosos e crianças;
  • Remédios para emagrecer + antidepressivo: pode causar taquicardia e um consequente aumento da pressão arterial;
  • Inibidores de apetite + ansiolíticos: a combinação provoca irritabilidade ao paciente, confusão mental, alterações de batimentos cardíacos e tontura;
  • Anticoncepcional + hormônios femininos, como estrógeno: dependendo do tipo de pílula, que pode conter excesso de estrógeno, aumentando o risco de coagulação sanguínea;
  • Anticoagulantes + antifúngicos: ocorre alteração no metabolismo dos medicamentos, podendo causar arritmias cardíacas;
  • Ciclosporina + extrato de hipérico (Erva-de-São-João) em pacientes com coração transplantado: pode ocorrer rejeição aguda do órgão.

 

Digoxina (digitálicos) + diversos medicamentos

 

Muitos pacientes cardíacos utilizam o medicamento digoxina, por isso, ela merece um tópico próprio. As interações medicamentosas com essa substância ativa se manifestam de diversas formas, como sobre a excreção renal, capacidade de absorção intestinal, ligação às proteínas plasmáticas, ligação tecidual, distribuição no organismo e sensibilidade à droga.

 

Interações mais comuns:

 

  • Cálcio – via intravenosa: pode causar sérias arritmias;
  • Amiodarona, alprazolam, espironolactona, propafenona, quinidina, flecainida, prazosina, eritromicina, claritromicina, gentamicina, tetraciclina, itraconazol, quinina, trimetoprima, verapamil, tiapamil indometacina, felodipino, propantelina, nefazodona, carvedilol atorvastatina e ciclosporina: aumentam os níveis sanguíneos de digoxina
  • Antiácidos, certos laxantes, colestiramina, neomicina, acarbose, sulfassalazina, rifampicina, fenitoína, metoclopramida, penicilamina, alguns citostáticos, adrenalina, salbutamol e Hypericum perforatum: diminuem os níveis sanguíneos de digoxina.

 

Quais os tipos de remédios que afetam o coração?

 

Determinados remédios podem, ao longo do tempo, causar alterações que levam ao surgimento de doenças cardíacas. Exemplo disso são os anti-inflamatórios, antidepressivos e os anticoncepcionais, que são muito utilizados. Por isso, é aconselhável a recomendação médica antes de fazer uso de qualquer um deles, em especial quando seu uso for contínuo.

 

Confira alguns deles!

 

Antidepressivos tricíclicos

 

Usados em casos mais graves de depressão, esses medicamentos provocam efeitos colaterais que podem alterar o funcionamento do coração, como queda da pressão, aumento da frequência cardíaca, alterações no funcionamento elétrico, entre outros.

 

No entanto, quando sua utilização é devidamente acompanhada, esses medicamentos apresentam baixo risco — por isso sua utilização depende de uma avaliação médica rigorosa.

 

Exemplos de antidepressivos tricíclicos: amitriptilina, clomipramina, desipramina, nortriptilina, imipramina, doxepina, amoxapina ou maprotilina.

 

Anti-inflamatórios

 

Alguns anti-inflamatórios não esteroides podem provocar um acúmulo de líquidos no organismo e, assim causar dilatação do músculo cardíaco, levando a longo prazo a uma insuficiência cardíaca.

 

Exemplos de alguns anti-inflamatórios que podem afetar o coração: fenilbutazona, indometacina e alguns corticoides, como a hidrocortisona.

 

Anticoncepcionais

 

Os anticoncepcionais são velhos conhecidos que sempre estiveram ligados a alguns dos problemas cardíacos como infarto, pressão alta e AVC. Mas, com a redução na quantidade de hormônios nesses medicamentos, o risco diminuiu bastante, tornando-se quase nulo. No entanto, cada caso é um caso, e é sempre bom a avaliação de um ginecologista.

 

Alguns exemplos de anticoncepcionais que podem comprometer o coração: Microvlar, Diane 35, Selene, Harmonet, Ciclo 21, Level, Soluna, Norestin, Minulet, Mercilon ou Marvelon.

 

Quais os riscos da automedicação para o coração?

 

Muitas pessoas costumam, equivocadamente, tomar remédios por conta própria ou por indicação de pessoas conhecidas. A automedicação pode trazer sérias consequências para a saúde. E engana-se quem pensa, que isso não se aplica a medicamentos mais simples, saiba que esses remédios se não forem consumidos de maneira adequada, podem sim trazer efeitos colaterais.

 

Os perigos da automedicação atingem muitos medicamentos. Por exemplo, o uso de anti-inflamatórios pode causar úlceras e até piorar a função renal em idosos. Analgésicos podem mascarar sintomas e antibióticos podem causar resistência.

 

Anti-inflamatórios x coração

 

De acordo com uma pesquisa publicada pela revista científica European Heart Journal e realizada no Hospital Universitário Gentofte, de Copenhague, o uso de alguns tipos de anti-inflamatórios não-esteroides (AINEs) podem afetar o coração.

 

A pesquisa associou o uso de alguns anti-inflamatórios, como diclofenaco e o ibuprofeno, usados para eliminar dores e inflamações a maiores riscos de infarto. Segundo o estudo, o ibuprofeno aumenta em 30% o risco de parada cardíaca, e o diclofenaco pode chegar a 50%.

 

O estudo não ficou apenas nesses anti-inflamatórios. Outros também entraram na pesquisa e se mostraram prejudiciais, mas em menor porcentagem. São eles: rofecoxib (não é mais vendido desde 2004), celecoxib (cuja venda se tornou controlada com retenção de receita) e naproxeno (o que se mostrou menos prejudicial).

 

O alerta, no entanto, fica para aqueles que tomam remédios sem consulta médica, principalmente para as pessoas com histórico de doença cardiovascular, como pressão alta.

 

Como você conferiu neste artigo, é muito importante evitar a automedicação e, principalmente, misturar os medicamentos que você já consome com outros por indicação de alguém. O ideal é que sempre consulte seu médico quando incluir qualquer medicamento em sua rotina.

 

Gostou deste post? Você tem alguma experiência com interação medicamentosa? O que acha, então, de compartilhá-la conosco? Deixe seu comentário!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *