Pílula anticoncepcional e o coração: os riscos para a saúde e importância do acompanhamento médico

Se você é mulher, já percebeu que, ao ir a uma consulta médica, uma das primeiras perguntas é “usa anticoncepcional”? Esse questionamento é importante por vários motivos. Um deles há uma relação estreita entre o uso da pílula anticoncepcional e o coração.

No Brasil, em 2015, 79% das mulheres utilizavam algum método contraceptivo para desenvolver seu planejamento familiar. Deste grupo, a contracepção hormonal, como a pílula anticoncepcional, foi a primeira escolha da maioria dessas mulheres.

Com o crescente acesso a estes medicamentos, devem ser crescentes também o acesso ao conhecimento dos benefícios e dos possíveis malefícios causados por esse uso.

Como qualquer medicamento, a pílula anticoncepcional oferece uma gama enorme de vantagens, entre eles uma maior liberdade sexual e proteção contra a gravidez indesejada, mas também pode promover e acelerar problemas relacionados ao coração, assim como hipertensão, infarto e trombose — por isso os médicos, sobretudo os cardiologistas, sempre perguntam sobre o uso desse método contraceptivo.

Vamos entender um pouco mais a relação entre anticoncepcional e o coração? Acompanhe!

Do que é feito um anticoncepcional?

Os anticoncepcionais hormonais orais, também chamados de pílulas anticoncepcionais ou contraceptivos orais, são hormônios esteroides utilizados de forma isolada ou em associação a outros hormônios com a principal finalidade de impedir a concepção, por inibição da ovulação.

Malefícios da pílula anticoncepcional para o coração

Desde o início de sua comercialização, o uso do anticoncepcional é cercado de mitos e boatos, mas também de verdades, orientações e cuidados que devem ser conhecidos antes de começar a usar o medicamento.

Uma das principais preocupações quanto ao uso do contraceptivo é a maior predisposição a diversas doenças, incluindo os efeitos no coração e nos vasos sanguíneos, tais como:

  •  o acidente vascular cerebral (AVC);
  • o infarto do miocárdio (IAM);
  • varizes e hemorroidas
  • e a trombose venosa profunda (TVP).

A seguir, separamos alguns casos específicos:

Trombose venosa

Para mulheres com restrições, o uso de métodos anticoncepcionais realmente pode aumentar o risco de trombose venosa profunda, mas esse é um evento bastante raro.

É preciso avaliar os fatores de risco da mulher e associá-los, conferindo a orientação ao uso ou sua restrição. Na avaliação, vale a pena conferir o histórico familiar de ocorrências de trombose.

Outros problemas que a pílula anticoncepcional pode causar

A pílula, símbolo da emancipação feminina nos anos 70, também possui alguns malefícios e necessita de cuidados ao uso. Os principais efeitos secundários no corpo feminino e que podem estar associados ao uso da pílula anticoncepcional são:

  • náuseas, vômitos e mal-estar gástrico durante o ciclo menstrual;
  • sangramento intermenstrual (durante o ciclo);
  • cloasma (melasma que acontece na gravidez);
  • alterações repentinas de humor;
  • dor nos seios (mastalgia);
  • dor de cabeça intensa;
  • tontura;
  • além dos problemas cardíacos já mencionados.

Ainda que todos esses problemas possam ocorrer, a pílula anticoncepcional evoluiu com o tempo e, atualmente, existem várias opções de contraceptivos orais com concentração hormonal em combinações e dosagens diferentes.

Por isso, é muito importante conversar com o ginecologista para encontrar a melhor opção para você. E, mais importante do que isso, se você já teve algum episódio de problema venoso, no coração ou é cardiopata (possui alguma doença do coração), não pode deixar de mencionar isso ao ginecologista antes mesmo de começar a tomar a pílula.

Além disso, se ao longo da sua vida surgir um problema cardiovascular, é fundamental conversar com os médicos (ginecologista e cardiologista), sobre a necessidade de trocar de pílula ou mesmo de mudar de método contraceptivo.

Quais são os principais fatores de risco que envolvem a pílula anticoncepcional e o coração?

Não tem jeito, estamos falando do uso de um medicamento à base de hormônios. Por isso, seu uso requer atenção, inclusive, quanto aos fatores de risco que são:

  • hipertensão arterial;
  • insuficiência cardíaca;
  • obesidade;
  • tabagismo;
  • diabetes.

Ao estarem associados ao uso da pílula, eles aumentam as chances de complicações sérias à saúde cardíaca da mulher, como AVC, infarto e trombose venosa.

A seguir, algumas particularidades:

Tabagismo

No tabagismo, o risco é aumentado pois as substâncias que compõem a fumaça do cigarro afetam as funções do sistema vascular arterial, favorecendo o acúmulo de gordura e colesterol nos vasos. Já os hormônios que compõem as pílulas beneficiam uma maior coagulação do sangue, elevando as chances de um AVC, infarto ou trombose.

Hipertensão

O coração das mulheres hipertensas ou predispostas, mesmo com a evolução contínua da doença é, normalmente, hipertrofiado, ou seja, o tecido muscular cardíaco se expande para tentar melhorar a força de propulsão do sangue.

Com o tempo, as artérias e o sistema vascular como um todo perde sua elasticidade, favorecendo o seu entupimento e o seu rompimento. A pílula, além de aumentar a pressão exercida no coração, ainda favorece a formação de trombos que podem ajudar neste entupimento arterial.

Obesidade

Já em relação às mulheres obesas ou com sobrepeso, o tecido adiposo em excesso produz mais de 15 substâncias que interferem no funcionamento do organismo como um todo, inclusive nos níveis hormonais.

Diabetes

Por fim, em mulheres diabéticas, o excesso de hormônio presente nas pílulas dificulta a ação da insulina – hormônio responsável pela absorção de açúcar no organismo. As consequências dessa interação vão de uma magreza excessiva, que pode ser revertida com acompanhamento médico, a situações mais graves, como o desenvolvimento de arteriosclerose.

Quais são os benefícios da pílula anticoncepcional?

Apesar dos efeitos negativos, as pílulas são primordiais e vantajosas para determinadas condições femininas. Além de prevenirem a gravidez indesejada através da inibição da ovulação, a pílula anticoncepcional combinada ou somente de progesterona, possui diversos outros benefícios.

Elas proporcionam ciclos menstruais regulares, com sangramento mensal durante menos tempo e em menor quantidade, diminuem a frequência e a intensidade das cólicas menstruais (dismenorreias) e dos ciclos hipermenorrágicos (com muito sangramento).

Também diminuem a incidência de gravidez ectópica, da doença inflamatória pélvica (DIP), câncer de endométrio, câncer de ovário, cistos funcionais de ovário, doença benigna da mama e miomas uterinos.

Viu como elas são muito eficazes quando em usadas corretamente? É permitido o seu uso desde a adolescência até a menopausa, sendo grandes aliadas da saúde da mulher e de todo o seu ciclo sexual.

De forma geral, os benefícios do uso dos contraceptivos hormonais ultrapassam os riscos associados a esses medicamentos. Um bom aconselhamento contraceptivo às mulheres, realizado por uma equipe de saúde multidisciplinar composta de médicos, enfermeiros e farmacêuticos deve incluir todos os aspectos benéficos e seus possíveis eventos adversos para, então, proporcionar uma escolha mais apropriada para cada caso.

Apesar da evolução na formulação dos medicamentos, a prescrição ainda deve ser feita de acordo com os antecedentes pessoais e a presença de morbidades, na tentativa de reduzir tanto os efeitos sobre o sistema cardiovascular quanto a incidência de doenças como a hipertensão.

Quem não pode usar pílula anticoncepcional?

Algumas pessoas não podem usar a pílula anticoncepcional. Muitas vezes isso ocorre justamente devido à saúde do coração. Doenças graves do fígado, câncer de mama, endométrio e doenças tromboembólicas agudas assim como suspeita de gravidez ou atraso menstrual sem diagnóstico, são contraindicações para o uso da pílula.

Mulheres com antecedentes de trombose devem, por segurança, optar por não utilizar o medicamento. Mas também devem levar em conta outros fatores associados, por exemplo, o excesso de peso, sedentarismo, se a mulher trabalha em pé ou sentada por muito tempo, além de outras doenças, como a diabetes.

Algumas mulheres que já têm predisposição a alguma doença cardiovascular congênita também podem ter a frequência cardíaca alterada se expostas ao uso de pílulas anticoncepcionais. Ainda, o uso deste método contraceptivo, quando combinados ao tabagismo, pode elevar em até 30 vezes o risco de complicações mais graves no coração.

Para ficar sempre alerta!

A pílula anticoncepcional pode ser uma grande aliada, mas também uma grande vilã! Procure um médico antes de começar a usar! Faça exames e certifique-se de seu estado de saúde regularmente!

Consulte o médico quando houver dúvidas quanto ao uso correto da pílula anticoncepcional! Relate sobre possíveis sinais e sintomas decorrentes do uso contínuo da pílula!

Além disso, se você usa pílula anticoncepcional, procure um médico imediatamente se:

  • sentir dor de cabeça muito forte e com sinais neurológicos;
  • sentir dor abdominal sem que você conheça a causa;
  • sentir dor e sensação de peso nas pernas;
  • houver alteração visual subitamente;
  • tiver hemorragias.

Viu como a relação entre a pílula anticoncepcional e o coração é delicada? É preciso usar com cautela e sempre com prescrição do seu médico ginecologista. Confira, agora, um artigo complementar: Doenças cardiovasculares em mulheres: os perigos para a saúde feminina!

FONTES:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/0102assistencia2.pdf
https://sobrac.org/publico-geral/?page_id=4026
https://www.hcor.com.br/imprensa/noticias/pilula-anticoncepcional-um-risco-cardiovascular-oculto/
http://www.scielo.br/pdf/reben/v71s3/pt_0034-7167-reben-71-s3-1453.pdf
http://www.blog.saude.gov.br/promocao-da-saude/32555-ginecologista-responde-mitos-e-verdades-sobre-a-pilula-anticoncepcional.html
http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/cadernos_ab/abcad26.pdf
https://www.hcor.com.br/imprensa/noticias/pilula-anticoncepcional-um-risco-cardiovascular-oculto/

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