Insuficiência cardíaca e depressão: acompanhamento psicológico para cardíacos

A insuficiência cardíaca pode causar problemas emocionais em grande número dos pacientes e em seus familiares. A habilidade social e a saúde mental de quem vive com IC ficam comprometidas. A situação é tão séria que cerca de 63% dos pacientes têm sintomas consistentes com estado depressivo e 40 % sofrem de ansiedade. Por isso, preparamos um post sobre a relação entre insuficiência cardíaca e depressão.

Quais fatores psicossociais são associados à doença cardíaca?

Um estudo publicado na revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar apontou os principais fatores psicossociais que são associados à doença cardíaca. São eles:

  • estresse;
  • trabalho;
  • luto;
  • depressão;
  • ansiedade;
  • isolamento social.

Entre todos os fatores elencados, o estresse foi o principal agente causador relacionado às doenças cardíacas, seguido pelo trabalho e luto.

Cabe ressaltar que o estresse está intimamente ligado a assuntos externos ao paciente (aborrecimentos no trabalho, problemas financeiros e eventos adversos de vida), aos transtornos depressivos, bem como a sintomas como ansiedade, exaustão, sofrimento psíquico e insônia.

Por que o diagnosticado desenvolve um quadro de depressão?

O paciente diagnosticado com diversas doenças pode experimentar uma situação de mal-estar mental. Entre as sensações sentidas, sobretudo quando há risco de morrer, estão: frustração, impotência, medo, ansiedade, angústia e desamparo. A culpa e a vergonha também podem aparecer em alguns casos — quando há relação entre a doença e os maus hábitos de vida.

Se prestarmos atenção, todos esses sintomas podem estar presentes na depressão. Assim, é correto dizer que insuficiência cardíaca e depressão têm uma ligação muito mais íntima do que possa parecer.

Essa é uma situação preocupante, pois a depressão é uma das principais causas de morte e uma das doenças mais impactantes na qualidade de vida. Por isso, muitos estudos estão sendo feitos para demonstrar que a depressão representa um fator de risco para desfechos ruins em pacientes com doenças coronarianas e com insuficiência cardíaca.

Em muitos casos, a insuficiência cardíaca é devida a maus hábitos adquiridos que o paciente cultivou por uma vida inteira, como fumar, exagerar nas bebidas alcoólicas e comer carnes gordurosas.

Com isso, o paciente pode desenvolver dois sentimentos: de culpa seguido de vergonha perante os familiares e amigos, sobretudo se essas pessoas tiverem que cuidar do paciente acamado ou arcar com os custos do tratamento. Esse quadro pode levar a uma depressão — situação bem séria que requer tratamento, já que o estado depressivo, em gera, piora os quadros de depressão.

Quais os sintomas depressão em pacientes com insuficiência cardíaca?

A depressão em pacientes com insuficiência cardíaca pode ser facilmente identificada, desde que a família conheça os sintomas, que são:

  • Falta de prazer ou interesse em atividades das quais gostava muito;
  • Alteração do sono (dormir muito ou sentir insônia);
  • Tristeza e mau-humor constantes;
  • dificuldade em tomar decisões;
  • Perda ou aumento do apetite;
  • dificuldade de concentração;
  • Isolamento;
  • Falta de ar;
  • Irritabilidade;
  • Desânimo;
  • Pessimismo;
  • Sentimento de culpa;
  • Ideia de morte ou suicídio.

Quais os profissionais procurar em casos de insuficiência cardíaca e depressão?

Alguns profissionais são fundamentais em quadros depressivos. Além do cardiologista, muitas vezes são necessários acompanhamentos de psiquiatras e psicólogos. O próprio cardiologista deve diagnosticar o problema e iniciar o tratamento, em casos mais graves deve envolver o psiquiatra juntamente com acompanhamento do psicológico — é importante que o cardiologista que acompanha o paciente saiba quando existe a necessidade de acompanhamento pelo psiquiatra, devido a possíveis interações medicamentos com antidepressivos e medicamentos para ansiedade em pacientes nas fases mais avançadas da depressão que pode mesmo se confundir com sintomas da Insuficiência Cardíaca.

Da mesma forma, quando o paciente for ao cardiologista, é fundamental que ele leve todos os medicamentos que usa anotados em um papel e o entregue ou os relate ao médico psiquiatra.

Já o psicólogo, é o profissional que vai auxiliar o paciente com insuficiência cardíaca a recuperar a sua saúde mental, e, nos casos mais graves, a vontade de viver. É claro que esse trabalho pode ser longo e a família precisa compreender que o paciente apresentará altos e baixos, mas, nem por isso deve abandonar o tratamento em uma das recaídas, pois elas fazem parte da doença e do tratamento.

O acompanhamento psicológico é fundamental para o paciente com insuficiência cardíaca e depressão e o tratamento pode ser longo, mas muito eficaz para melhorar a qualidade de vida do indivíduo como um todo.

Pacientes já depressivos

Também pode ocorrer de o paciente já ter a doença depressão diagnosticada antes de sofrer o evento cardíaco. Neste caso, o quadro depressivo pode piorar, podendo ser necessário um ajuste de dose do antidepressivo, bem como do aumento da frequência — ao menos por um tempo — das sessões de terapia.

Como prevenir a depressão em pacientes com insuficiência cardíaca?

A prevenção da depressão na insuficiência cardíaca se faz com a prática de atividades que dão prazer e divertem o paciente. Jogos de tabuleiro, cartas, e outros; leitura; conversar com os amigos; ouvir as músicas preferidas, caminhadas ao ar livre; mais contato com a natureza; e até sentir prazer em se alimentar (mesmo com certas restrições, há como preparar pratos saborosos temperando com ervas).

Com relação às músicas, vale citar a música de Mozart, que foi comprovada cientificamente em alguns estudos como sendo benéfica em estados ansiosos e depressivos, resultando no chamado “efeito Mozart”.

Praticar atividades físicas também é fundamental para prevenir a depressão na insuficiência cardíaca, mas cabe ressaltar que a sua prática depende do estágio em que a doença se encontra. Nos momentos de descompensação a atividade física não deve ser realizada. O ideal é conversar com o cardiologista que diagnosticou a doença para saber qual momento estão liberados para o estágio em que o paciente se encontra.

Ainda com relação aos exercícios físicos, os pacientes acamados não praticarão tais atividades, obviamente, mas terão como opção a ajuda do fisioterapeuta para realizar movimentos no leito e breves caminhadas que ajudarão o corpo a manter ao menos o mínimo de movimentação necessária para a saúde e para colaborar na prevenção da depressão.

O ideal é que essas atividades comecem antes mesmo do aparecimento da depressão. Alguns hospitais oferecem aos pacientes cardíacos internados, o acompanhamento de um psicólogo que conversa e orienta os pacientes para evitar que a depressão se instale ou tratar os primeiros sintomas. Isso é fundamental para o sucesso do tratamento, já que, na depressão, quanto antes ele iniciar, maiores serão as chances de regressão ou não agravamento da doença.

Agora que você já sabe que existe uma intrínseca relação entre insuficiência cardíaca e depressão, complemente sua leitura com o artigo: Reabilitação e fisioterapia na Doença do Coração Fraco (Insuficiência Cardíaca) e outras doenças do coração.

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