Doenças cardíacas e viagens de avião: a insuficiência cardíaca é um impedimento para voar?

Muitos de nós sabem que viajar de avião pode ser desaconselhável para quem possui certas condições de saúde. Mas será que todos sabemos o porquê disso? Se você é um dos que não sabem, este texto é para você. Confira tudo o que há para saber sobre as doenças cardíacas e viagens de avião!

Aeroporto - Doenças cardíacas e viagens de avião

Por que a combinação “doenças cardíacas e viagens de avião” pode ser perigosa?

A razão de tanta preocupação e de algumas ocorrências, muitas vezes graves, atende pelos nomes de altitude e baixa pressão da cabine do avião.

Juntas, essas duas condições podem causar vários problemas, a maioria deles cardiovasculares.

A ocorrência que, provavelmente, seja a mais frequente com relação às doenças cardíacas e viagens de avião é a trombose venosa profunda (TVP). Trata-se de um problema onde se formam coágulos sanguíneos nas veias profundas das pernas.

Ela pode acontecer em qualquer pessoa, mas é mais prevalente em quem tem insuficiência cardíaca e em cardíacos em geral. Os sintomas são: dor, aumento da sensibilidade no local, vermelhidão, inchaço e calor aumentado em uma perna. Mais adiante, conheceremos as medidas preventivas da TVP, mas antes vamos conhecer outros problemas causados em viagens de avião para se prevenir, remediar ou optar por outro meio de transporte?

Quais condições físicas ou doenças cardíacas que impedem viagens de avião?

Como já mencionamos, alguns problemas de saúde ou condições físicas temporárias podem impedir que você viaje de avião justamente porque as doenças do coração e viagens de avião podem ser uma combinação perigosa. Fique atento a todas elas e proteja a si mesmo ou um ente querido:

Doenças cardiovasculares

  • acidente vascular cerebral (AVC) ocorrido há duas semanas;
  • infarto sofrido há menos de seis semanas;
  • insuficiência cardíaca descompensada;
  • doença grave das válvulas cardíacas;
  • arritmias cardíacas não controladas;
  • angina (dor no peito) instável;
  • hipertensão.

Doenças respiratórias

  • gripe (a doença causada pelo vírus Influenza e não resfriado que comumente chamados de “gripe”) — pelo alto risco de contágio;
  • asma (em crise), bronquite grave ou outra doença pulmonar instável;
  • doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC);
  • pessoas com suporte de oxigênio acima de 4L/min;
  • doença respiratória ativa contagiosa;
  • sangramento frequente no nariz;
  • enfisema pulmonar;
  • câncer de pulmão;
  • tosse com sangue.

Gestantes nas seguintes condições

  • mulheres no primeiro trimestre da gravidez apresentando sangramento;
  • gestação acima das 37 semanas;
  • gravidez de alto risco.

Outras condições de saúde

  • ter mergulhado (com cilindro de hidrogênio) há menos de 12 horas ou dois dias antes do voo;
  • tonturas com causas desconhecidas ou não controladas;
  • qualquer tipo de cirurgia recente.

Importante! Algumas dessas doenças só impedem completamente as viagens de avião se o paciente estiver em crise ou se não estiver devidamente medicado pelo seu médico. Mas isso é o tema do próximo item. Confira abaixo!

Como prevenir ou tratar os problemas de saúde citados?

Alguns dos problemas citados podem ser prevenidos, mas as medidas de prevenção devem começar com cerca de duas semanas antes do voo. Pessoas com problemas de circulação, como varizes, por exemplo, devem manter a circulação ativa para facilitar o retorno do sangue ao coração.

Para isso, é importante que, pelo menos 20 minutos por dia, a pessoa deite-se e apoie os pés sobre dois travesseiros para facilitar a circulação — pode ser no momento de assistir à TV, por exemplo.

Além disso, o médico pode receitar um medicamento anticoagulante para ser utilizado no dia do voo, como o ácido acetil salicílico (aspirina) na dosagem de 100 mg (a dosagem conhecida como infantil). Mas é importante que esse medicamento só seja usado se o médico o prescrever, pois certos problemas de saúde podem impedir sua ingestão (como úlceras e gastrites).

Outra medida fundamental nesse caso, ou para outros problemas cardiovasculares, é que a pessoa não permaneça sentada durante todo o voo. Uma pequena caminhada dentro do avião a cada duas horas facilita a circulação e a oxigenação dos órgãos.

Outras medidas fundamental é não deixar de usar os medicamentos rotineiros nos dias que antecedem a viagem, no próprio dia e nos dias seguintes. Demais orientações serão fornecidas pelo seu médico, por isso, ao programar uma viagem, marque uma consulta com antecedência com o seu médico e lembre-se de falar o tempo de duração do voo. No tópico a seguir, trataremos desse assunto mais a fundo!

No caso da TVP, especificamente, é possível prevenir que ela ocorra com as seguintes dicas:

  • caminhar pelo avião a cada duas horas;
  • não sendo possível se levantar de duas em duas horas, faça movimentos com as pernas enquanto estiver assentado. Exemplo: estender ambas as pernas e pés para a frente e para trás, além de movimentos circulares.
  • beber muita água ou sucos (cuidado com os muito doces), evitar consumir bebidas alcoólicas e fazer refeições leves;
  • usar roupas folgadas;
  • usar meias de compressão (impedem a formação de coágulos) — certifique-se de comprar uma que forneça a pressão ideal para você (leve, moderada, forte).

É preciso de autorização médica para viajar de avião nesses casos?

Sim. Em todos os quadros apresentados é preciso que um médico autorize a viagem e que, se for o caso, prescreva medicamentos, medidas preventivas (como se hidratar mais antes e durante o voo e como se comportar durante a viagem) para garantir que a saúde do paciente seja preservada.

Por isso, nunca omita ter uma doença crônica do coração, como a insuficiência cardíaca e viagens de avião, por exemplo, um dos outros problemas de saúde citados ou quaisquer outros que você tenha dúvida de serem impeditivos para viagens de avião.

Quais quadros precisam estar estáveis para eu viajar tranquilamente?

Pessoas com asma ou bronquite grave podem viajar desde que não estejam em crise. Além disso, precisam levar os medicamentos de uso contínuo (além dos prescritos pelo seu médico pneumologista ou otorrinolaringologista para levar exclusivamente para a viagem de avião — se for para o exterior, a receita médica precisa estar junto aos remédios).

Segundo o Dr. Igor Bastos Polonio — médico membro da diretoria da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia, em entrevista ao Portal Terra — embora existam vários riscos, não há razão para que essas pessoas desistam de viajar de avião (no caso específico de doenças respiratórias). Contudo, os riscos deverão ser atenuados com a prevenção e o tratamento antes, durante e depois dos voos.

O mesmo vale para os pacientes com insuficiência cardíaca ou outras doenças do coração . A situação do seu coração e das suas artérias e veias precisa ser conhecida para que sua viagem seja mais tranquila. Se a viagem for muito longa, o ideal é consultar o seu cardiologista para que ele avalie a necessidade de realizar exames (de sangue e de imagem) para saber como está a situação do seu problema e recomendar medidas de segurança a serem tomadas antes, durante e após a viagem, ou mesmo solicitar que você adie a ida — até que o quadro fique estável.

É importante salientar que, se você se sentir mal durante o voo, é fundamental comunicar a situação a um tripulante do avião. Eles são treinados a dar orientações básicas e ainda podem solicitar a ajuda de algum médico que estiver no mesmo voo que você.

Agora que você já conhece o que é importante saber sobre o assunto doenças cardíacas e viagens de avião, descubra também o que é fundamental saber sobre Insuficiência Cardíaca e Festas de Final de ano.

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