A insuficiência Cardíaca no Brasil

A insuficiência cardíaca ocorre quando o coração não consegue bombear sangue para todo o corpo de maneira eficiente. O resultado é um acúmulo de sangue nas pernas, nos pulmões e também em outros órgãos por todo o corpo. Esse depósito sanguíneo causa sintomas desagradáveis, mas nem sempre óbvios, pois podem sugerir outras doenças.

Neste post vamos mostrar como está o cenário da insuficiência cardíaca no Brasil e como é muito importante que esse tema seja amplamente discutido na atualidade, procuramos abranger muito sobre o assunto. Informe-se e saiba como cuidar melhor da saúde do seu coração!

Cenário da insuficiência cardíaca no Brasil

No Brasil, o cenário da insuficiência cardíaca é preocupante. A seguir, veremos:

  1. os números da doença em nosso país;
  2. levantamento sobre a insuficiência cardíaca no Brasil;
  3. o nível de preparo dos profissionais;
  4. o quanto a mídia divulga esse assunto;
  5. o quanto o público geral conhece sobre a doença;
  6. como o sistema público de saúde atende esse setor.

1. Os números da insuficiência cardíaca no Brasil

Os dados comprovam a situação. Confira!

  1. Segundo as últimas projeções, 6 milhões de pessoas têm insuficiência cardíaca no Brasil.
  2. Acredita-se que cerca de 100 mil casos de insuficiência cardíaca são diagnosticados todo ano no país.
  3. Em 15 anos, cerca de 2 milhões de pessoas terão insuficiência cardíaca;
  4. Estima-se que até 2030 haja um aumento de 40%.
  5. 10% dos brasileiros com mais de 70 anos convivem com o problema — entre as idades de 40 e os 59 anos, a taxa ainda é alta e chega a 1%.
  6. 70% das pessoas com a doença ainda convivem com a hipertensão (pressão alta).
  7. A média de sobrevivência após o diagnóstico da insuficiência cardíaca no Brasil é somente de 5 anos.
  8. Os casos mais graves têm taxa de cerca de 20% de mortalidade em 1 ano.

2. Levantamento sobre insuficiência cardíaca no Brasil

Embora essa doença seja tão comum quanto séria, o primeiro levantamento sobre a insuficiência cardíaca — o popular “coração cansado” — no país só foi feito há dois anos, em 2016. O estudo das características do problema que prejudica tantas vidas foi feito pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Como foi a pesquisa

Os médicos observaram 1 263 pacientes com a doença em 51 hospitais das cinco regiões do país. A média de idade dos participantes era de 64 anos. A meta era conferir como é feito o diagnóstico, o tratamento e a evolução do problema por dois anos, bem como quais são as condições e os hábitos associados ao seu surgimento.

O cenário desvendado não foi nada agradável. O diretor da Unidade Clínica de Transplante Cardíaco do Instituto do Coração (InCor) um dos autores da pesquisa, o cardiologista Fernando Bacal disse à revista Saúde que o total de pessoas que morrem de insuficiência cardíaca no país é duas vezes maior que nos Estados Unidos e três vezes maior em relação à Europa.

Os números do levantamento

Algumas das respostas dadas pelos pacientes durante a pesquisa foram:

  • 34% foram orientados a respeito do papel de alimentação, sem abuso de sal e de líquidos sem ser água;
  • 35% dos participantes eram diabéticos e tinham colesterol alto;
  • 16% deles recebiam conselhos para fazer algum tipo de atividade física;
  • 67% dos que têm a doença disseram se lembrar de recomendações sobre a maneira correta de usar os medicamentos;
  • 10% das pessoas com insuficiência cardíaca tiveram seu coração enfraquecido devido à doença de Chagas (contraída pela picada do inseto barbeiro);
  • 13% afirmaram sofrer de depressão (talvez) em decorrência da doença;
  • 60% dos estudados também sofriam de apneia do sono.

Os médicos ainda descobriram que 29% das complicações causadas pela insuficiência cardíaca acontecem, justamente, devido à baixa adesão ao tratamento e também de equívocos no momento de tomar os remédios.

2. O nível de preparo dos profissionais

O quadro mostrado acima demonstra a importância do acompanhamento de uma equipe multidisciplinar com enfermeiros e farmacêuticos. Enquanto os primeiros administram os medicamentos de forma correta, os últimos orientam quanto ao uso correto dos medicamentos.

A falta de qualificação por parte dos médicos também é preocupante. Muitos deles não prestam o devido atendimento aos pacientes e não os acompanham durante a evolução da doença.

Um médico bem preparado sabe que para detectar a insuficiência cardíaca no consultório, é preciso observar em um primeiro momento se o indivíduo apresenta alguns dos sintomas a seguir:

  • fadiga;
  • pernas inchadas;
  • tosse incontrolável e que piora ao deitar;
  • frios constantes nas mãos e pés;
  • cansaço em atividades físicas;
  • doenças cardiovasculares preexistentes.

A partir desses sinais, um ecocardiograma deverá ser pedido para confirmar as suspeitas. Se a doença for diagnosticada precocemente, o tratamento adequado fará o coração trabalhar da forma correta.

O baixo nível de preparo dos profissionais fica evidente em um outro dado que mostra que quase 30% dos pacientes que receberam alta voltam a ser hospitalizados depois de poucos meses.

Esse é um reflexo falta de informações a respeito de como se cuidar e do pouco acesso aos medicamentos.

3. A insuficiência cardíaca na mídia

O nome da doença “Insuficiência Cardíaca”, que podemos a partir de agora também chamar de “Doença do Coração Fraco”, com o objetivo de facilitar o melhor entendimento, não costuma ser ouvida nos noticiários, muito diferente das palavras infarto e pressão alta, por exemplo.  A explicação se da devido ao infarto e pressão alta serem causadores da insuficiência cardíaca, portanto, aparecerem primeiro, dificultando o entendimento, o reconhecimento e a real valorização da nova doença existente.

As matérias mais recentes a respeito se referem à maior prevalência do problema entre pessoas que convivem com a poluição e foi noticiada pela Rede Record e Revista Galileu, Globo.

Já o programa Bem Estar, também Global, mostrou que uma dieta com excesso de proteínas pode levar à insuficiência cardíaca. Mas além dessas reportagens, não há mais nada recente sobre o assunto. Isso é algo que precisa ser mudado.

4. Conhecimento sobre a doença por parte da população

 

Insuficiência Cardíaca

Já começamos esse parágrafo informando que um estudo mostrou que 6 em 10 brasileiros não sabem o que é insuficiência cardíaca. A pesquisa foi divulgada pela laboratório farmacêutico Novartis e demonstra que, ainda que a doença mate mais do que o câncer de próstata e de mama, o problema segue desconhecido da maioria dos brasileiros.

Os números impressionam. Cerca de 62% da população não sabe o que é insuficiência cardíaca. E o cenário pode ser ainda pior. Dentre os que disseram conhecer o mal, somente 2% conseguiu descrevê-lo corretamente.

Ainda dentre os que “conhecem” a insuficiência cardíaca, 33% acham que a doença tem cura (ela não pode ser curada, apenas controlada). Já aproximadamente 71% dos entrevistados, acreditam que a doença não afeta somente indivíduos com mais de 60 anos.

5. A prevalência desse problema cardíaco entre os sexos

Como já era de se imaginar, a insuficiência cardíaca é mais frequente nos homens, sobretudo pela maior prevalência de doenças cardiovasculares, como infarto e hipertensão não tratados corretamente.

Isso porque, tradicionalmente, as mulheres cuidam mais da saúde e têm hábitos alimentares e estilo de vida mais saudável. Além disso, o hormônio feminino oferece um maior grau de proteção até a entrada na menopausa.

No entanto, o estresse da vida moderna e o tabagismo gerou um aumento na incidência da insuficiência cardíaca também entre as mulheres.

6. Insuficiência cardíaca no sistema público de saúde

A mesma pesquisa, realizada pelo instituto francês de pesquisa, Ipsos, calcula que os cofres públicos arcam com R$ 22 bilhões para tratar dessa enfermidade.

O cálculo leva em consideração as despesas para o sistema único de saúde (SUS), bem como a diminuição da produtividade da população economicamente ativa.

Esperamos que o post tenha sido elucidativo e que o ajude a entender melhor sobre o assunto para se precaver de ter a doença ou poder ter uma boa qualidade de vida se já for portador de insuficiência cardíaca ou de alguma moléstia que leve a ela.

E lembre-se! A insuficiência cardíaca ou doença do coração fraco é uma doença grave ainda pouco reconhecida, que se diagnosticada e tratada de forma precoce, pode trazer bons resultados. CUIDE-SE!

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